sábado, 18 de outubro de 2025

O Verbo que um Cristão Não Deve Conjugar (Parte 2)

 




A Linguagem que Alinha o Espírito

Com isso em mente, é urgente que reflitamos sobre o emprego do verbo "odiar" em nossa linguagem cotidiana. Ouço ainda muitos cristãos dizendo com naturalidade: "Eu odeio isso"; "Tenho ódio daquilo"; "Ai, que ódio!". Mas Jesus disse: "a boca fala do que está cheio o coração." (Lucas 6:45, ARA)

O que falamos tem poder. E o uso descuidado de palavras que se opõem ao Amor é também um desserviço espiritual que fazemos conosco mesmos. A santidade se reflete também no vocabulário.

Conjugar um verbo não é apenas pronunciá-lo — é associar-se a ele. O mesmo radical que origina o verbo "conjugar" também está presente em "cônjuge": ambos vêm do latim "coniugare", que significa "unir sob o mesmo jugo". Conjugar um verbo, portanto, é mais do que usar uma forma gramatical — é se vincular a uma expressão de sentido, a um sentimento, a um comportamento, a uma força. Assim, conjugar o verbo odiar na primeira pessoa é entrar em aliança com o inimigo do Amor. É tornar-se cônjuge de uma conduta que contraria o Espírito do Senhor. É adotar, ainda que sem perceber, uma linguagem infiel ao Evangelho de Cristo.

E não nos surpreendamos que uma palavra comum possa carregar tanto peso. O próprio Cristo nos ensinou a ver além do literal, usando as mais ricas metáforas para descrever nossa união com Ele. Ele se apresentou como o Noivo, chamando a Igreja para uma aliança de fidelidade. Ele se revelou como a Videira, ensinando que nossa vida e nosso fruto dependem de estarmos permanentemente "ligados" — sob o seu jugo, sua autoridade, a qual é leve. Portanto, nesse mesmo espírito, o ato de "conjugar" o verbo amar ou odiar na primeira pessoa se torna uma declaração profunda: é dizer com quem nos unimos em aliança — e a qual Senhor servimos.

E essa escolha exige uma lealdade exclusiva. Como o próprio Jesus nos ensinou, não podemos servir a dois senhores. Assim, nossa aliança com o Amor implica uma busca constante, a cada momento, pela obediência ao nosso Pai Celestial.

Quando fazemos uso do verbo “odiar”, mesmo em tom de brincadeira, estamos plantando em nós uma semente que não floresce no jardim do Reino. A língua, como ensinou Tiago (Tg 3:5-12), pode ter dois destinos: pode ser como o fogo que incendeia e destrói o jardim do coração, ou pode ser uma fonte de bênção, que o irriga e faz germinar a semente da paz.

Exame Espiritual do Vocabulário

Por isso, com respeito e firmeza, proponho:

Que o verbo odiar e a palavra ódio não encontrem espaço em nosso vocabulário cristão!

É tempo de fazermos um exame espiritual também em nosso vocabulário, removendo da boca aquilo que nunca deveria ter descido ao coração. Porque quem nasceu do Alto não fala como 
antes, nem sente ou pensa como antes — fala como quem já foi tocado e transformado pelo Amor.

Como disse Jesus: "
Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo." (João 3:7, ARA)

De minha parte, o ódio está oficialmente desempregado. Sem direito a aviso prévio! Que ele desapareça da face da Terra por inanição — desnutrido pela falta de uso, desidratado, porque o sangue que agora circula em nosso coração já não o alimenta. Que nosso coração seja, enfim, inteiro de Cristo Jesus!

Mas não basta deixar de alimentar o ódio — é preciso vigiar, para que ele não encontre outra porta por onde entrar.

Jesus nos advertiu: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação..." (Mateus 26:41, ARA). Precisamos vigiar o que entra em nosso coração e o que sai da nossa boca. Vigiar também nossos pensamentos e atitudes — porque o Amor não coabita com o ódio, nem a santidade com a imprudência. Por isso, convido você, meu irmão e minha irmã, a examinar que palavras tem empregado em sua vida. Quantas expressões, mesmo ditas em tom de brincadeira ou por hábito, carregam contradição com o Espírito que professamos seguir? Será que o vocabulário que usamos no trânsito, nas redes sociais, em casa e no trabalho está alinhado com Aquele que é o Verbo encarnado?

Amar é o Verbo que Devemos Conjugar

Este é o ordenamento: "Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem" (Mateus 5:44, ARA)

Deus é Amor. Amar é o verbo divino que devemos conjugar. Que a nossa fala seja espelho fiel do Seu Espírito.




Evandro C. Severgnini  
é escritor, compositor e poeta cristão.  
Assina seus trabalhos espirituais como C. S. Evans. 
Em sua obra, busca unir profundidade teológica e linguagem acessível, com um estilo literário que transita entre o formal e o poético, revelando um pensamento que convida à contemplação e à vivência do Amor divino.  
Seus textos se fundamentam nas Sagradas Escrituras, com ênfase nos Evangelhos e nos princípios do Amor e da Justiça de Deus, da Redenção e da Restauração, do Arrependimento e da fé obediente.  
Em março de 2025, lançou o álbum O Caminho, marco inicial de sua trajetória pública como artista e autor cristão.  
Suas palavras e canções buscam inspirar, restaurar a esperança e fortalecer os vínculos entre os que creem, alcançando também os corações que ainda buscam compreender a mensagem transformadora de Jesus Cristo.

sábado, 11 de outubro de 2025

O Verbo que um Cristão Não Deve Conjugar (Parte 1)

 

O Paradoxo do Deus que Ama e "Odeia"

"Deus é Amor" (1Jo 4:8, ARA). Esta é uma das declarações mais conhecidas das Escrituras. E ainda assim, quando lemos algumas traduções do Antigo Testamento, nos deparamos com passagens que dizem que Deus "odeia". Como compreender isso? Estaria o Amor contradizendo a si mesmo? Ou seria o nosso vocabulário que precisa de revisão?

Comecemos examinando alguns versículos:

"Estas seis coisas o Senhor
odeia, e a sétima a sua alma abomina..." (Provérbios 6:16-19, ACF)

"Pois tu não és Deus que se agrade com a iniquidade, e contigo não subsiste o mal. Os arrogantes não permanecerão na tua presença;
odeias todos os que praticam a iniquidade." (Salmos 5:4-5, NVI)

"...todavia amei a Jacó, e
odiei a Esaú..." (Malaquias 1:2-3, ACF)

A Palavra no Original: O Que Realmente Dizem as Escrituras

Em todos esses versículos, algumas traduções usam o verbo odiar, o que pode causar estranheza, especialmente para leitores sensíveis ao caráter amoroso de Deus revelado em Cristo. E essa estranheza é um sinal que nos convida a uma leitura mais coerente com o Amor eterno.

Ao examinarmos os originais em hebraico, percebemos que há nuances.

No hebraico, a palavra utilizada é ( ָשׁנֵא
sanê’), cuja raiz pode significar não apenas "odiar" em um sentido emocional, mas também reprovar, rejeitar, afastar-se, romper aliança ou não atestar. A Septuaginta, versão grega do Antigo Testamento, traduz esse termo muitas vezes por μισέω (miseō), com sentidos semelhantes: odiar, rejeitar, preterir.

O uso do verbo "odiar", quando aplicado a Deus, frequentemente exige uma ginástica teológica desnecessária para explicar o significado do versículo. Mas não haveria essa necessidade se, desde o início, fosse usada uma tradução mais fiel ao contexto e ao caráter divino. Termos como detestar, reprovar ou romper aliança comunicam o sentido do original com muito mais coerência e sem escandalizar a consciência espiritual do leitor.

Vejamos então:

"Existem sete coisas que o Senhor Deus
detesta e que não pode tolerar: " (Provérbios 6:16-19, NTLH)

"Tu não és um Deus que se agrade com a maldade; contigo o mal não pode habitar. Os arrogantes não são aceitos na tua presença; detestas todos os que praticam o mal." (Salmos 5:4-5, NVI)

"...eu amei Jacó, mas
rejeitei Esaú." (Malaquias 1:2-3, NVI)

Entre a Tradição e a Revelação

Mesmo a tradição judaica trata com cautela o uso do verbo "odiar" atribuído a Deus. Para Maimônides — médico, rabino e filósofo do século XII, autor do Guia dos Perplexos e considerado um dos maiores intérpretes da Torá na tradição judaica — expressões como essa são antropomorfismos: formas humanas de descrever ações divinas, usadas para facilitar nossa compreensão limitada. Concordo no uso desse recurso como facilitador para a compreensão humana, ainda muito limitada para uma compreensão plena. No entanto, neste caso específico, entendo que essa explicação simbólica não é necessária — e pode até prejudicar o verdadeiro sentido do texto original.

Cristo, o Verbo que Ama

Jesus jamais conjugou o verbo "odiar" na primeira pessoa. Ao contrário, Ele disse:

"Como o Pai me amou, assim
eu os amei; permaneçam no meu amor." (João 15:9, NVI)

"Que vos ameis uns aos outros, assim como
eu vos amei." (João 15:12, NVI)

"Todavia, faço o que o Pai me ordenou
para que o mundo saiba que eu amo o Pai." (João 15:31, NVI)

João, o apóstolo conhecido como o discípulo do Amor, escreveu:

"Quem diz estar na luz, e
odeia a seu irmão, até agora está em trevas." (1Jo 2:9, ARA)

"Todo aquele que
odeia a seu irmão é homicida; e vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanente em si." (1Jo 3:15, ARA)

"Se alguém disser: Amo a Deus, e
odiar a seu irmão, é mentiroso; pois quem não ama a seu irmão, a quem viu, não pode amar a Deus, a quem não viu." (1Jo 4:20, ARA)

Alguém poderia, então, argumentar: "
Mas não existe um ódio justo, um ódio santo contra a injustiça, a opressão ou o próprio pecado?" Não. Mas por que não? Porque a linguagem do Reino nos chama a uma precisão maior. Usando palavras como "reprovo", "luto contra" a injustiça, ficamos dentro do amor incondicional para com as pessoas, inclusive para com nossos inimigos. Na verdade essa precisão maior expressa com muito mais fidelidade a repulsa à injustiça, à opressão ou ao próprio pecado. Porque se de fato nosso sentimento ultrapassar essa fronteira, corremos sério risco de cair nas armadilhas do opositor, e ele é muito bom nisso: usar nossas próprias virtudes contra nós, nos desviando da via correta — a via da retidão.






Evandro Seveginini, mais conhecido como C.S. Evans, nosso 007.


domingo, 1 de junho de 2025

Paracletologia: O Estudo do Consolador

 



A Paracletologia é o ramo da teologia que se dedica ao estudo do Espírito Santo, a terceira pessoa da Trindade. 
O termo "Paracletologia" deriva da palavra grega parakletos, que significa "Consolador", "Advogado" ou "Ajudador".

A Importância da Paracletologia

A Paracletologia é uma área de estudo fundamental para a compreensão da fé cristã. O Espírito Santo desempenha um papel crucial na obra da salvação, na vida da igreja e na vida individual dos crentes. Através do Espírito Santo, os crentes são regenerados, santificados, capacitados para o serviço e guiados na verdade.

Principais Tópicos da Paracletologia

A Pessoa do Espírito Santo: A Paracletologia explora a natureza e os atributos do Espírito Santo, sua relação com o Pai e o Filho, e sua obra na criação, revelação e redenção.

A Obra do Espírito Santo: Investiga as diversas obras do Espírito Santo, incluindo a 
Paracletologia regeneração, a santificação, o batismo no Espírito Santo, os dons espirituais e o fruto do Espírito.

O Espírito Santo e a Igreja: Examina o papel do Espírito Santo na formação, crescimento e missão da igreja.

O Espírito Santo e a Vida Cristã: Explora como o Espírito Santo capacita os crentes a viverem uma vida de fé, esperança e amor.

A Paracletologia é um campo de estudo rico e fascinante que oferece insights profundos sobre a pessoa e a obra do Espírito Santo.
Ao explorar essa área da teologia, os crentes podem aprofundar sua compreensão da fé cristã e experimentar uma comunhão mais íntima com Deus.

Referências Bíblicas:

1. O Espírito Santo na Criação e no Antigo Testamento.

- Gênesis 1:1-2: O Espírito de Deus pairando sobre as águas, participando da criação do mundo.

- Juízes 6:34: O Espírito do Senhor revestindo Gideão para liderar Israel.

- 1 Samuel 16:13: O Espírito do Senhor vindo sobre Davi, ungindo-o como rei.

2. O Espírito Santo no Ministério de Jesus.

- Lucas 1:35: O Espírito Santo vindo sobre Maria na concepção de Jesus.

- Lucas 3:22: O Espírito Santo descendo sobre Jesus no batismo.

- Lucas 4:18: Jesus, cheio do Espírito, declarando seu ministério.


3. O Espírito Santo na Igreja Primitiva.

- Atos 2:1-4: O Pentecostes e o derramamento do Espírito.

- Atos 4:31: A igreja sendo cheia do Espírito Santo.

- Atos 10:44-46: O Espírito Santo descendo sobre Cornélio e sua casa.


4. O Espírito Santo na Vida do Crente.

- Gálatas 5:22-23: O fruto do Espírito.

- Romanos 8:26-27: O Espírito intercedendo por nós.

- 1 Coríntios 12:4-11: Os dons espirituais.







Felipe Jorand é Bacharel em Teologia pelo CEEC e pela Academia de Pregadores, além de ser graduado em Letras - Licenciatura pela UNINTER. É também pós-graduado em Neurociência e Formação Docente pela UNINTER, bem como em Neurociências e Psicoeducação em Terapia do Esquema pela USP.
Atua como professor na rede pública e privada, dedicando-se à educação com excelência e comprometimento. É Presbítero e professor da Escola Bíblica Dominical na Assembleia de Deus em Salto-SP, Ministério IEADI, onde também exerce um ministério ativo como conferencista e missionário itinerante, pregando e ensinando em diversas igrejas e outros ministérios.
É casado com Camila, com quem tem dois filhos: Ester e Pedro.

sábado, 24 de maio de 2025

Evangelho em Pedais

 




As nuvens cobriam o céu sertanejo, e a poeira da estrada, silenciada pela umidade, dava lugar ao som dos pedais girando em harmonia. 

Tudo começou como um simples passeio de bicicleta, cada volta das rodas era uma oportunidade de explorar a caatinga, os lajedos e até os caminhos mais estreitos do mato. Porém, o que parecia apenas uma aventura acabou se transformando em algo maior: Uma lição prática de como viver e compartilhar o evangelho.


Estávamos eu e três adolescentes, jovens cheios de energia, mas ainda aprendendo o que significa ser testemunha de Cristo em um mundo tão carente de esperança. Nossa ideia inicial era pedalar até a cidade vizinha, 

"Cacimba de Areia", para aproveitar a paisagem e se exercitar. Mas Deus tinha outros planos.


Quase chegando à cidade, ficamos sem água. Um dos meninos, criado naquela região, sugeriu que parássemos na casa de uma amiga da família para nos reabastecer, assim fizemos.

 Dona Antônia, a dona da casa, nos recebeu sob a sombra de uma árvore, em pouco tempo, um cafezinho chegou às nossas mãos; conversamos sobre o dia e no meio da conversa, soubemos que sua bicicleta havia sido furtada recentemente.

Ao ouvir isso, senti no coração que não podia deixar passar a oportunidade de orar por ela,  pensei comigo mesmo: "Essa é uma chance prática de ensinar os meninos como um discípulo deve agir e se portar." Perguntei:

— Dona Antônia, posso orar pela senhora e por sua casa? Agradeço pelo café e gostaria de abençoar sua família.

Ela aceitou com um sorriso, oramos pela bicicleta, pela sua casa e pela sua hospitalidade.


 Depois disso, "levantamos acampamento" e seguimos pedalando, nossa próxima parada foi na casa da avó do mesmo jovem; era ideia dele visitá-la, pois já era quase hora do almoço, no caminho, aproveitei para perguntar:

— Vocês perceberam como é simples orar?


Alguns deles ainda têm dificuldade com a oração, acreditando que precisam usar palavras difíceis ou discursos elaborados, mas, naquele momento, seus rostos se iluminaram... Viram que a oração é um ato natural e poderoso.


Chegando à casa da Dona Severina, fomos explorar os arredores. Um dia, aquele lugar havia sido uma carvoaria movimentada, mas agora era apenas um retrato do passado. Quando voltamos à casa, fomos recebidos com pratos de sopa de feijão e o famoso cuscuz. Dona Severina, com sua simplicidade, demonstrou a típica hospitalidade sertaneja que tanto nos ensina.


Antes de começarmos a comer, pedi a um dos meninos que orasse pela refeição. Ele, com certa timidez, fez uma oração sincera e breve. Depois da refeição, entre conversas e brincadeiras, Dona Severina nos surpreendeu com um doce de bananada, sua generosidade nos marcou profundamente.


Na hora de partir, um dos meninos tomou coragem e pediu para orar por Dona Severina e sua família, mas, tomado pela timidez, recuou, e eu assumi a oração. 


Agradecemos a Deus por aquela família, pedimos que Ele abençoasse o lar e nunca deixasse faltar alimento ou a presença de Jesus.


Quando estavamos pedalando voltando para casa, percebi que algo havia mudado: O desejo de fazer o que fazemos — pregar, orar e visitar — estava nascendo no coração deles. 

Eles perguntaram: 

— Rafael, no sábado seguinte, podemos visitar as famílias com vocês?

Outro completou:

— Vamos de bicicleta até lá?


Meu coração se encheu de alegria; vi ali uma oportunidade de cultivar e aperfeiçoar esse desejo.


Aqui, no sertão, não precisamos de toda uma bagagem teológica. A simplicidade do evangelho é melhor compreendida quando vivida e compartilhada. Pregar o evangelho não é decorar palavras difíceis nem ter respostas para tudo. É amar, ouvir, orar e apontar para Jesus.


Aquele dia, com duas paradas aparentemente simples, foi um marco. O evangelho é poderoso porque é simples. Ele não depende de grandes estruturas ou discursos eloquentes, mas de corações dispostos a obedecer e agir.


E assim, com os pedais girando e os corações aprendendo, seguimos espalhando as boas novas.






Rafael Figueiredo Moutela, é casado com Juliana Figueiredo Moutela e pai de quatro filhos. Há dois anos, dedica-se integralmente à missão no sertão nordestino, servindo ao Senhor com amor e compromisso.

Formado em Teologia pela Escola Convergência, tem dedicado sua vida ao ensino bíblico e ao discipulado. Atualmente, atua na liderança e discipulado de adolescentes sertanejos há oito meses, ajudando-os a crescer na fé e a desenvolver um relacionamento profundo com Deus.

sexta-feira, 16 de maio de 2025

O Propósito de Deus para o Homem





Deus nos criou à Sua imagem e semelhança, concedendo-nos a capacidade de frutificar. Seu propósito era que o homem enchesse a terra, tornando-a um local organizado e habitável.

Dentro de cada pessoa existe um instinto natural de ter direção e propósito na vida. Isso se traduz também em uma tendência de conquistar e governar, como vemos em Gênesis 1.27.

O Princípio de Autoridade


A forma como Deus governa revela o que chamamos de princípio de autoridade. A cadeia de autoridade foi estabelecida por Ele para organizar, proteger e garantir uma administração eficaz. Sendo uma ordenação divina, deve ser respeitada e preservada.

Instruir as pessoas nesse princípio é essencial. Isso pode poupá-las de muitos sofrimentos, desordens e até castigos. O foco deve estar nas posições hierárquicas da cadeia de comando — não necessariamente nas pessoas que as ocupam. Afinal, ainda que o princípio e a posição sejam sagrados, quem ocupa o cargo pode falhar.

A Autoridade Estabelece a Ordem de Deus


A autoridade é o que mantém pessoas, valores e estruturas em ordem. Sem organização não há crescimento saudável, e sem autoridade não há organização.

Ela é a essência da liderança. É por meio dela que se aplicam as leis morais, se identifica o lugar correto de pessoas e coisas e se traçam objetivos claros para conduzir outros na direção certa. Uma boa liderança promove ordem, desenvolvimento e progresso.

A Rebeldia e o Caos


Sem uma cadeia de autoridade, o que teríamos seria um aglomerado de pessoas vivendo em desordem — exatamente o que o inimigo deseja: a anarquia.

Mesmo um governo falho ainda é melhor do que a ausência total de governo. O caos se instala quando pessoas se rebelam contra o princípio da autoridade. É importante não confundir esse princípio com o estilo de liderança de alguém. O estilo é pessoal; o princípio vem de Deus. E quem desrespeita o princípio, será corrigido por ele.

Discernindo o Princípio da Pessoa


É fundamental entender a diferença entre a pessoa da autoridade e o princípio da autoridade. Confundir isso pode levar à condenação pessoal.

Muitas pessoas, decepcionadas com figuras de autoridade, acabam se rebelando contra o princípio divino da autoridade — e, com isso, se encontram espiritualmente desajustadas, feridas e até em resistência contra Deus.

Submissão a Deus através da Autoridade


Não é raro ouvir: “Não me submeto a homens, apenas a Deus!” — mas quem diz isso, muitas vezes, se torna amargo, conflituoso e difícil de conviver.

A parábola do filho pródigo é um retrato claro: quando se infringe o princípio de autoridade, a pessoa se afasta do lugar de bênção e acaba em sequidão, escassez e até morte espiritual.



Submeter-se à autoridade é submeter-se a Deus. Entender esse princípio é caminhar em direção à ordem, à paz e ao cumprimento do propósito divino em nossas vidas.

"Toda autoridade é instituída por Deus" – Romanos 13.1




Marcos Paim,
casado há 14 anos com Tayrine Erica, 
pai do Abner(11 anos) e Anthony (2 anos).
Co-pastor Igreja Adan (Brasília/ DF). Enviado ao campo missionário com 21 anos no interior RS, residente no Distrito Federal desde 2007.
 Ministro em seminários e conferências voltado a temas sobre família.

segunda-feira, 31 de março de 2025

Teologia & Teólogos

 






O que é Teologia?

Apesar da palavra teologia ter como simples significado "estudo de Deus", não devemos imaginar que Deus é o objeto de estudo dessa ciência, pois Deus não pode ser estudado em sua totalidade como se fosse algo analisado em laboratório. De acordo com Gustaf Aulén (1965, p.19), "o objeto de estudo da teologia é a fé cristã como realidade dada, objetiva [...]. A teologia tem por objetivo o estudo e a pesquisa da fé cristã". Isso significa dizer que quando falamos de teologia nos referimos ao entendimento humano sobre Deus, sobre a fé, ou seja do que Deus revelou de si. Este é o limite da teologia.

A realidade é que conhecemos de Deus apenas o que ele se deixa revelar, sobre isso José Carlos de Souza (2019, p. 5) nos diz: "Deus
revelatus (...) Deus absconditus. O Deus que se revela permanece mistério profundo e indecifrável". No estudo teológico consideramos a pluralidade de pensamentos e ideias sobre Deus, afinal, nenhuma teologia é palavra final, somente Deus é absoluto, nesse sentido, segundo Ray Dunning (2019, p. 25) "teologia não envolve somente palavras sobre Deus, mas também palavras sobre o homem em relação a Deus". Jürgen Moltmann (2016, p. 49) fez uma das melhores definições de teologia, segundo ele, a "teologia é uma tentativa de captar no intelecto aquilo que se experimenta no coração". É preciso levar em consideração o longo processo de desenvolvimento da teologia e com toda a humildade, assim como o teólogo brasileiro Dr. Márcio Simão, afirmar que "teologia se faz em diálogo".

Teólogos

Se a teologia é o esforço humano de compreender a Deus e a forma que a humanidade reflete sobre Deus, entendemos que o teólogo é quem está preocupado em transmitir esse conhecimento não somente para a comunidade de fé, mas também para o mundo. A teologia não é absoluta, somente Deus é absoluto. No discurso teológico estamos todos tateando, procurando descrever Deus. Essa tarefa deve ser feita reconhecendo os limites da própria reflexão teológica, e respeitosamente assumindo o caráter dialogal da teologia. Não existe uma teologia, mas sim teologias. Seja teologia luterana, teologia calvinista, teologia pentecostal ou teologia wesleyana, e muitas outras. Desta forma, é preciso humildade para dialogar com outros 
pontos de vista, por isso uma teologia humilde sempre será ecumênica. Teologia se faz em diálogo.

Devemos pensar na teologia de três formas: Teologia acadêmica; Teologia confessional; teologia popular. A teologia acadêmica está preocupada com pesquisa acadêmica, cientifica e interdisciplinar, sempre feita de forma ampla e preferencialmente fora das caixas denominacionais, mas sim dialogando com todos os pensamentos teológicos. Além disso, desde 1999 o curso de bacharel em teologia foi reconhecido pelo MEC (Ministério da Educação), que com os passar do tempo definiu diretrizes especificas para as instituições de ensino superior como por exemplo ter corpo docente capacitado. Já a teologia confessional está preocupada com as questões dogmáticas assumidas por cada confissão de fé. Por fim, a teologia popular está relacionada à manifestação do pensamento e reflexão de todo cristão e cristã, ou seja, cada crente que ao ler a Bíblia reflete sobre seu significado e o que o texto diz ao seu coração está fazendo teologia, nesse sentido, somos todos teólogos. Evidentemente alguns se especializam e se dedicam ao estudo mais profundo, seja confessional ou acadêmico, mas sim, todos que leem a Bíblia procurando significado para sua vida estão fazendo teologia.

Uma vez alguém disse que "teologia esfria o crente". Essa fala é muito problemática por várias razões, mas vale destacar que geralmente quem reproduz uma fala dessa está diminuindo a importância do estudo teológico justamente por preguiça de estudar mais a Palavra de Deus, ou por medo de perceber que nem tudo que ele aprendeu é exatamente da forma como lhe ensinaram. Seja como for, quem diz isso ignora o que dissemos, pois é impossível não fazer teologia, a menos que não se leia a Bíblia. Outro ponto, diminuir a teologia ignora também que só temos a Bíblia em português porque teólogos interpretaram os textos originais com hermenêutica e exegese, um processo altamente teológico, nesse sentido, sem teologia sequer teríamos Bíblias traduzidas para o português.

Refletir sobre teologia sempre foi um processo inacabado, é preciso levar em consideração o chão vivencial onde se faz teologia. O próprio Novo Testamento é fruto da lembrança e leitura dos fatos e acontecimentos que envolveram Jesus de Nazaré, o Cristo, visando fornecer respostas às crises e problemas das comunidades cristãs. Nesse sentido, os autores do Novo Testamento inspirados pelo Espírito de Deus, produzem escritos com intenções teológicas claras.

A teologia tem algumas áreas de aplicação e ênfase muito interessantes, como a teologia bíblica, teologia sistemática, teologia prática e teologia histórica, cada uma com sua importância. Um dos ramos da teologia que tem se tornado cada vez mais urgentes é a teologia pública, que está dentro da aplicabilidade prática da teologia. Sua importância se deve ao fato de que estamos inseridos numa sociedade, formada por pessoas criadas por Deus, com problemas reais. O conhecimento teológico não pode ficar enclausurado na comunidade de fé, mas deve ir às vielas dos marginalizados levando esperança, fazendo teologia a partir do chão em que se vive. É possível responder aos desafios da atualidade, como as injustiças sociais, por meio de uma teologia prática. Mas para isso é preciso uma presença pública da igreja na sociedade, participando da concretude da vida de homens e mulheres, refletindo sobre o sagrado a partir do contexto brasileiro e fornecer respostas para a transformação da realidade.

Nesse sentido, é fundamental elaborar um discurso teológico que esteja preocupado com questões atuais e necessárias da sociedade. Um exemplo é a crise ecológica que o mundo enfrenta, a teologia deve participar do debate público fomentando o diálogo e propondo contribuições, por tanto torna-se importante uma abordagem "ecoteológica" para lidar com a problemática. Além disso, há diversos temas onde a teologia pública pode contribuir, como em questões bioéticas, luta contra o racismo, enfrentamento da pobreza, violência contra a mulher etc.

Para concluir, se somos cristãos então queremos aprender mais sobre Jesus de Nazaré, o Cristo, e para isso é indispensável a reflexão teológica. Toda a vivência cristã envolve teologia, e todos fazem teologia em certa medida, pois usam o intelecto e a razão refletindo sobre a experiência de fé. Primeiro vem o encontro com Deus, depois vem a reflexão sobre esse encontro. Primeiro vem a experiência com o Sagrado e Divino, depois vem as ponderações sobre a experiência. Primeiro vem o encontro com Jesus Cristo vivo, depois a procura do sentido para nossas vidas a partir desse encontro. Tudo isso é teologia. E para os teólogos, é fundamental que essa teologia se desdobre em prática concreta, seja através das pregações, das ações sociais, do aconselhamento pastoral, ou por meio da teologia pública para promoção da cidadania e do bem-comum. A teologia não pode ficar enclausurada na comunidade de fé, mas deve ser viva e prática, trazendo a luz de Cristo Jesus para o mundo.


Link para o Instagran

Paulo Correia
Bacharel em teologia (Unigranrio) com pesquisa em teologia pública. Sua ênfase de pesquisa atual está em teologia do Novo Testamento, cristologia, escatologia e teologia pública. Autor do livro "Fé Pública", um livro de teologia pública em perspectiva da teologia wesleyana. Além disso possui licenciatura em química (Unigranrio). 


quinta-feira, 27 de março de 2025

Por que estudar Teologia?



Creio que em algum momento da nossa jornada cristã cada um de nós já teve a oportunidade se fazer esta pergunta. Você pode ter obtido poucas respostas e não muito satisfatórias o suficiente para se matricular ema faculdade ou seminário teológico, mas certamente a pergunta ainda deve persistir em sua mente, especialmente quando se depara com tantas correntes teológicas pela internet.
Convidamos você a estudar Teologia de forma leve porém comprometida com um de nossos editores do Blog "O Legado" Cristiano Geiger é Teólogo e Especialista em Educação Cristã e também um grande entusiasta do Conhecimento.

Em seu Projeto:
"Estude Teologia Comigo" ele nos convida a ler um Clássico da Teologia por mês e discutir está obra de uma forma que torna a Teologia acessível á todos.

Assistam ao vídeo:




Texto de Maria Betânia, coordenadora do Projeto Legado.
 

O Verbo que um Cristão Não Deve Conjugar (Parte 2)

  A Linguagem que Alinha o Espírito Com isso em mente, é urgente que reflitamos sobre o emprego do verbo "odiar" em nossa linguage...