A Linguagem que Alinha o EspíritoCom isso em mente, é urgente que reflitamos sobre o emprego do verbo "odiar" em nossa linguagem cotidiana. Ouço ainda muitos cristãos dizendo com naturalidade: "Eu odeio isso"; "Tenho ódio daquilo"; "Ai, que ódio!". Mas Jesus disse: "a boca fala do que está cheio o coração." (Lucas 6:45, ARA)O que falamos tem poder. E o uso descuidado de palavras que se opõem ao Amor é também um desserviço espiritual que fazemos conosco mesmos. A santidade se reflete também no vocabulário.Conjugar um verbo não é apenas pronunciá-lo — é associar-se a ele. O mesmo radical que origina o verbo "conjugar" também está presente em "cônjuge": ambos vêm do latim "coniugare", que significa "unir sob o mesmo jugo". Conjugar um verbo, portanto, é mais do que usar uma forma gramatical — é se vincular a uma expressão de sentido, a um sentimento, a um comportamento, a uma força. Assim, conjugar o verbo odiar na primeira pessoa é entrar em aliança com o inimigo do Amor. É tornar-se cônjuge de uma conduta que contraria o Espírito do Senhor. É adotar, ainda que sem perceber, uma linguagem infiel ao Evangelho de Cristo.E não nos surpreendamos que uma palavra comum possa carregar tanto peso. O próprio Cristo nos ensinou a ver além do literal, usando as mais ricas metáforas para descrever nossa união com Ele. Ele se apresentou como o Noivo, chamando a Igreja para uma aliança de fidelidade. Ele se revelou como a Videira, ensinando que nossa vida e nosso fruto dependem de estarmos permanentemente "ligados" — sob o seu jugo, sua autoridade, a qual é leve. Portanto, nesse mesmo espírito, o ato de "conjugar" o verbo amar ou odiar na primeira pessoa se torna uma declaração profunda: é dizer com quem nos unimos em aliança — e a qual Senhor servimos.E essa escolha exige uma lealdade exclusiva. Como o próprio Jesus nos ensinou, não podemos servir a dois senhores. Assim, nossa aliança com o Amor implica uma busca constante, a cada momento, pela obediência ao nosso Pai Celestial.Quando fazemos uso do verbo “odiar”, mesmo em tom de brincadeira, estamos plantando em nós uma semente que não floresce no jardim do Reino. A língua, como ensinou Tiago (Tg 3:5-12), pode ter dois destinos: pode ser como o fogo que incendeia e destrói o jardim do coração, ou pode ser uma fonte de bênção, que o irriga e faz germinar a semente da paz.Exame Espiritual do VocabulárioPor isso, com respeito e firmeza, proponho:Que o verbo odiar e a palavra ódio não encontrem espaço em nosso vocabulário cristão!É tempo de fazermos um exame espiritual também em nosso vocabulário, removendo da boca aquilo que nunca deveria ter descido ao coração. Porque quem nasceu do Alto não fala como antes, nem sente ou pensa como antes — fala como quem já foi tocado e transformado pelo Amor.Como disse Jesus: "⁷ Não te admires de eu te dizer: importa-vos nascer de novo." (João 3:7, ARA)De minha parte, o ódio está oficialmente desempregado. Sem direito a aviso prévio! Que ele desapareça da face da Terra por inanição — desnutrido pela falta de uso, desidratado, porque o sangue que agora circula em nosso coração já não o alimenta. Que nosso coração seja, enfim, inteiro de Cristo Jesus!Mas não basta deixar de alimentar o ódio — é preciso vigiar, para que ele não encontre outra porta por onde entrar.Jesus nos advertiu: "Vigiai e orai, para que não entreis em tentação..." (Mateus 26:41, ARA). Precisamos vigiar o que entra em nosso coração e o que sai da nossa boca. Vigiar também nossos pensamentos e atitudes — porque o Amor não coabita com o ódio, nem a santidade com a imprudência. Por isso, convido você, meu irmão e minha irmã, a examinar que palavras tem empregado em sua vida. Quantas expressões, mesmo ditas em tom de brincadeira ou por hábito, carregam contradição com o Espírito que professamos seguir? Será que o vocabulário que usamos no trânsito, nas redes sociais, em casa e no trabalho está alinhado com Aquele que é o Verbo encarnado?Amar é o Verbo que Devemos ConjugarEste é o ordenamento: "Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem" (Mateus 5:44, ARA)Deus é Amor. Amar é o verbo divino que devemos conjugar. Que a nossa fala seja espelho fiel do Seu Espírito.





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